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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

Lembro que a minha conta chegou a ser atendida pelo Nizan Guanaes, pela Camila Franco e pelo Washington Olivetto. Imagina: pelo trio de ouro. Numa dessas invenções maravilhosas que vêm dessa trinca de publicitários geniais, nós chegamos a ganhar um Leão de Ouro em Cannes. Então fechamos o nosso currículo com uma propaganda maravilhosa de Assugrin. O tema era "Exercícios para Emagrecer". Era um cafezinho e uma pílula. E aí entrava: "um dois, um dois, um dois". Mudamos também toda a embalagem com a mensagem: "Adoçante é qualidade de vida, estilo de vida". Assim o produto deixou de ser visto como um remédio.

"Ainda na Vepê, criei um jornal que atendia todos os compradores de Doce Menor. Era um jornal editorial, não publicitário, e esse foi meu primeiro trabalho nesta área. Comecei a pegar muito amor pelo jornal, era um prazer participar das reuniões de pauta, comecei a me empolgar por esse trabalho"

Lembro que quando eu deixei a Vepê pelo sonho de montar a Símbolo, nós tínhamos 54% do mercado, conforme a pesquisa Nielsen. Para fazer todo esse trabalho, eu sempre tive na veia essa coisa da editora. Criei um jornal que atendia todos os compradores de Doce Menor. Era um jornal editorial, não publicitário, e esse foi meu primeiro trabalho nesta área. Eu trabalhava com uma empresa chamada RMC, que pertencia ao Roberto Muylaert. Comecei a pegar muito amor pelo jornal, era um prazer participar das reuniões de pauta, comecei a me empolgar por esse trabalho e ligá-lo cada vez mais à qualidade de vida.

Propus então a meu chefe fazer uma publicação dedicada à qualidade de vida. Não tinha nada na época. A Boa Forma acabara de ser lançada, mas era muito voltada para fitness. A Saúde era uma revista muito interessante, de excelente qualidade, mas era focada mais na doença. E eu queria que a qualidade de vida fosse o valor número um. Eu queria fazer uma revista mais abrangente. Na época, a gente usava o termo holístico e meu sonho era fazer esta revista. Certo dia fui chamada à sala do presidente que estava muito emocionado e me disse que acabara de receber um e-mail da Suíça dizendo que eu não precisaria me reportar mais ao diretor Internacional, que meu trabalho tinha sido aprovado e que os encontros iriam ser realizados não como aprendizado, mas como troca de know-how. Eu poderia ensinar na Suíça sobre o mercado brasileiro e vice-versa. Daí veio a proposta de me preparar para a direção-geral da empresa. Mas eu já sentia que o sonho da minha vida era abrir uma editora, e lhe fiz a proposta de se tornar meu sócio. Estávamos no final de 1986. Fiz um plano de ação, com um grande investimento, mas provando rentabilidade. Ele era totalmente visionário e aceitou o desafio. Ele ficou com 85% da editora e eu com 15%. Foi fundada a Símbolo. No dia 25 de março de 1987, foi a data de nascimento e fundação da Símbolo e, como primeira revista, nós lançamos o Guia Corpo a Corpo de Qualidade de Vida. Foi fantástico, porque na época ele custava quatro vezes o preço de capa da revista Claudia, que tinha uma grande tiragem. O Jornal da Dinap comprovou que foi o produto mais vendido em banca. Só perdeu para a Playboy. Com a Yoná Magalhães na capa foi uma alegria. Foi um guia muito caro, mas com uma qualidade muito grande. Eu recebi cartas do Pietro Maria Bardi, do Gilberto Gil, de vários formadores de opinião.

Mikio Okamoto

ER - Bem, pela sua resposta já eliminamos várias perguntas, mas como agora vai começar realmente a história da Símbolo, por favor, é só continuar.

Joana - Em 87, o Roberto Melo já estava comigo como editor do Guia Corpo a Corpo. Hoje, ele é meu sócio. Desde o inicio teve toda a minha confiança e parceria. Eu brinco que o Beto lê todos os meus pensamentos. Ele coloca naquele português maravilhoso todas as minhas idéias. Em 88, a revista Corpo a Corpo era bimestral e por isso não foi bem. De 89 a 91, passou a ser mensal. Foi quando comecei a descobrir a importância do leitor. É preciso sentir realmente na carne o quanto o leitor é importante na história de uma editora. A revista não era rentável, nós tínhamos uma revista com qualidade, mas que não vendia suficientemente. O senhor Sheng Kai, nesta época, num processo de adequação de suas empresas, queria fechar a Símbolo. Falei com várias pessoas. Entre elas, o Ricardo Fischer que então era presidente da Globo. Porém, ele não quis comprar a Símbolo, mas comprava o meu passe. Isso levantou o meu moral. Mas eu queria mesmo era tocar a Símbolo. Tentei mais uma sociedade, mas não deu certo. Eu queria que alguém comprasse a Corpo a Corpo e a amasse tanto quanto eu. Sou completamente apaixonada pela Símbolo, isso é indiscutível e continuo apaixonada nesses 18 anos que se passaram.

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