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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

ER - Acho que é o metrossexual?

Joana - Acho essa palavra maravilhosa. É para esse homem que estamos falando.

"No dia 25 de março de 1987, foi a data de nascimento e fundação da Símbolo e, como primeira revista, nós lançamos o Guia Corpo a Corpo de qualidade de vida. Foi fantástico, porque na época ele custava quatro vezes o preço de capa da revista Claudia, que tinha uma grande tiragem. O Jornal da Dinap comprovou que foi o produto mais vendido em banca. Só perdeu para a Playboy"

ER - Bom, mudando um pouco... Você foi durante muitos anos a capitã da Símbolo, a comandante total. Por que a Abril entrou na sua empresa, qual o seu relacionamento com o Roberto Civita? Como é que você iria dividir o poder?

Joana - Na verdade, a entrada da Abril na Símbolo já era um namoro antigo. Recebi a primeira proposta em 1996, mas só fizemos uma associação em 99. O dr. Roberto estava numa fase de expansão e aí começamos nosso trabalho. Nosso mercado editorial tem muito a ver com a Abril, que tem revistas fantásticas. A questão era exatamente esta: como dividir o poder? Até que, em 99, a Abril me deu um ok: eu poderia me associar sendo a capitã. Assim eu mantive o controle da empresa. É possível que futuramente possa dividir, porém, no momento a Símbolo ainda precisa da Joana. Ela precisa tornar-se independente. Mas ainda está crescendo, tem metas a cumprir. A Símbolo pretende ser uma das grandes editoras deste País. A empresa não foi lançada para ser uma editora pequena ou só de um assunto.

ER - E por que a associação não durou?

Joana - Penso que a Abril passou por mais mudanças que a própria Símbolo. Tudo mudou porque o mercado mudou. Não tem culpado. Foi uma experiência muito rica, mas acho que foi um ano em que a Símbolo não cresceu. Ao contrário, fechou muitas revistas. Hoje, me sinto mais completa devido à passagem da Abril pela nossa empresa. Não durou porque os planos mudaram na Abril e, talvez, manter uma editora independente não fosse mais interessante.

ER - Hoje você tem outros sócios? Como é que é dividir o poder?

Joana - Risos... Eu até tento, eu até faço minha lição de casa todos os dias, e... Não adianta: sou mesmo uma ditadora. Eu ouço a opinião de todos, do office-boy, da mulher do café, da secretária, e se ela me falar que aquela capa está ruim, eu vou voltar para ver aquela capa, eu vou discutir com os editores. As pessoas têm liberdade para falar, insisto muito sobre isso. Não quero que ninguém queira adivinhar minha opinião. Cada um deve ter a sua. Mas, na verdade, a opinião que prevalece é sempre a do leitor. Eu acho que o coletivo sempre tem razão, a massa é o meu grande guru. Quando uma pessoa que serve café me fala "olha, a roupa dessa mulher não está legal", preste atenção no que ela está falando. Essa é uma informação de ouro. Não coloque o seu ego acima. Nesta empresa as coisas são muito democráticas, as pessoas se sentem muito donas da Símbolo. Eu faço qualquer coisa pela Símbolo. Se eu tiver de ficar numa sala de espera horas e horas para ser atendida pelo quinto escalão, se tiver de aprovar uma campanha, faço com o maior prazer. Não que eu não tenha ego, não tenha orgulho, mas eu acho que a Símbolo é muito importante. Somos 300 funcionários, 300 famílias. A minha opinião é muito forte, mas se você tiver um bom argumento, eu mudo de opinião. Você conhece muito bem uma das minhas sócias, diga que ela aceita qualquer coisa? Regina Bucco virou minha sócia de tanto que brigou comigo. Quando ela acredita numa idéia, saia da frente. O Beto Melo, apesar de ser uma pessoa de mais consenso, ele coloca a opinião dele. Quando eu percebo que a pessoa está me trazendo algo a mais e pela empresa, essa pessoa começa a ter parte da empresa, ela começa a crescer. Aí começa essa contradição de ser extremamente liberal e ditadora quanto à decisão final.

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