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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

ER - Quantos títulos tem a Símbolo?

Joana - São 16 marcas. A Meu Nenê, por exemplo, tem cinco revistas. Eu não conto a Meu Nenê como cinco revistas, eu conto como uma marca. Toda a Símbolo tem 16 marcas. Mas até o final do ano...

ER - Joana, antigamente lançava-se uma revista sem campanha, mandava para a banca, eu mesmo me lembro de uma porção de revistas que aconteciam no boca-a-boca. Quanto custa hoje lançar uma revista, um título?

Joana - Depende. Se você falar em semanal, se prepara: é preciso ter a sabedoria de sair quando o mercado está muito violento. Vou falar em primeira mão de duas semanais: a Vidas e a Chiques. A Vidas é uma revista que aconteceu, ela vendeu muito em bancas. Nós a lançamos no final de 2003 e a perspectiva para 2004 era ótima. Como eram palavras do Lula: "um espetáculo de crescimento." Só que o espetáculo não aconteceu. Quanto à Chiques, esta é uma marca interessante, que mantemos desde 99. O que percebo claramente é que todos os títulos que migraram para o formato grande precisaram de muito investimento, como a Quem, a Contigo, fora a campeã, a Caras. Não temos tanta força para investir. Vamos esperar o aquecimento do mercado.

ER - Você já pensou em lançar uma semanal de informação?

Joana - A Vidas foi o nosso primeiro ensaio, com a humildade de não ir contra as grandes semanais que já existem. Lançamos um formato mais light, um formato grande, tinha bastante informação, mas também entretenimento. É esta revista que está nos nossos planos, mas sem pressa.

ER - Você ainda não lançou uma revista política, de defesa de idéias, mais guerreira?

Joana - Uma revista semanal de informação viria para isso. Às vezes, a guerra não é a melhor aliada. A Raça Brasil, foi uma das revistas que mais mudou a vida do negro no Brasil, e se você for falar, 50% da população do Brasil tem ascendência negra. Então, a revista que mudou a maior parte da população brasileira não era uma revista de política, era uma revista de moda, beleza, entretenimento, prazer. Todas as nossas revistas tem algo de missão, de alma. Se não tem, fica fora da Símbolo. Tem de ter uma missão de alma, alguma coisa que some com a sociedade. Tenho planos para lançar uma revista GLS. Mas antes, a Símbolo tem de estar extremamente consolidada. As revistas têm sim, "alma guerreira". Quando nós lançamos a primeira revista popular, semanal, em formato grande, a primeira pessoa do mercado a tirar o chapéu foi o Ângelo Rossi.

"Hoje, me sinto mais completa devido à passagem da Abril pela nossa empresa. Não durou porque os planos mudaram na Abril e, talvez, manter uma editora independente não fosse mais interessante"

ER - Joana você já vendeu um anúncio de publicidade? Já foi à luta?

Joana - Já, isso foi em um outro período da Símbolo, mas acho que eu vou voltar. Vivi uma experiência muito interessante, foi há muitos anos. Só tinha a Corpo a Corpo, e lembro que fiquei 45 minutos na sala de espera de uma agência de publicidade. Minha equipe estava muito constrangida. Quando finalmente fui recebida, ouvi: "Eu nem vou me sentar, você tem cinco minutos". Levei um susto, mas não me permiti fraquejar e falei em cinco minutos sobre a Corpo a Corpo. Fui superprofissional. Na manhã seguinte, ligaram da agência, que tinham aprovado toda a campanha.

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