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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

ER - Joana, porque que você é ausente do mercado, não vai a reuniões, coquetel? Ninguém conhece a Joana, quer dizer, conhece a Joana de fama, mas não de convívio.

Joana - Eu falo, mas ninguém acredita: eu sou uma pessoa tímida. Tenho uma vida pessoal extremamente reservada. Na Símbolo, todos me conhecem, eu transito em todos os corredores, em todas as salas, não tenho problema nenhum em falar com os jornaleiros, com o mercado... Em relação ao mercado, sempre tive um pouco de timidez, mas também isso vou mudar. Muitas vezes vejo informações da Símbolo que não são reais e o fato de não ir para o mercado está atrapalhando a empresa. Isso porque os nossos números, os que eu tenho aqui e quero te mostrar, são números fantásticos. O mercado não tem a noção de quem é a Símbolo. A Símbolo não é uma empresinha. Nós não somos uma empresa francoatiradora que fica lançando títulos.

Tem todo um trabalho de marketing, uma filosofia, um passo a passo. E, com toda a alegria, eu vou ser a primeira mulher a ser capa da Em Revista, a revista da Aner. Vou mudar um pouco essa imagem de low-profile. Pretendo estar mais presente. Mas nunca foi por falta de carinho. A aprovação da sociedade eu já recebi: ganhei o prêmio "Prix Veuve Clicquot de la Femme d'Affaires" como melhor empresária do ano. É um prêmio maravilhoso, que elege em 12 países as mulheres de negócio de maior destaque. Ganhei também o Caboré. Ou seja, o mercado tem me prestigiado.

ER - Como é a Joana na intimidade? Na mistura de raças, qual é a dominante? De onde vem a "guerreira?".

Joana - A Joana é do jeito que ela é o tempo todo. Não é uma mulher de tailleur, de terno, uma oriental mais dura, mais rígida. A Joana e a Símbolo são a mesma pessoa. Não quero máscaras, porque as máscaras atrasam a vida, e essa formação de chinês e japonês é maravilhosa na minha vida. Meu pai tem uma frase muito interessante que diz: "Se você colocar um chinês para brigar com um japonês, o chinês dá um couro no japonês. Ele é muito mais inteligente. Se você colocar os filhos do chinês para brigarem com os filhos do japonês, os filhos do japonês dão um banho nos chineses, porque os japoneses são mais cooperativos, gostam de trabalhar em time. Então minha filha, saiba quando você tem de ser chinesa, quando tem de ser japonesa." Eu tento ser chinesa em algumas horas, japonesa em outras, mas o mais importante é esse mix com a brasilidade. É a alegria, a paixão que veio do lado brasileiro.

"Vivi uma experiência muito interessante, foi há muitos anos. Só tinha a Corpo a Corpo, e lembro que fiquei 45 minutos na sala de espera de uma agência de publicidade. Minha equipe estava muito constrangida. Quando finalmente fui recebida, ouvi: "Eu nem vou me sentar, você tem cinco minutos". Levei um susto, mas não me permiti fraquejar e falei em cinco minutos sobre a Corpo a Corpo. Fui superprofissional. Na manhã seguinte, ligaram da agência, que tinham aprovado toda a campanha"

ER - A China parece que é a bola da vez. Todo mundo só fala em investir na China.

Joana - Então estou na moda.

ER - Tem editor querendo ir para China e a própria política chinesa parece que está se abrindo para permitir sócios estrangeiros em editora. A situação da mulher na China é precária ainda. Você nunca pensou em internacionalizar a Símbolo e levar para a China?

Joana - Não vou dizer que é uma idéia, porque os meus filhos são mestiços, eles estudam chinês. Tenho dois, um menino que vai fazer 12 e uma menina que vai fazer seis. Desde os três anos de idade estudam chinês. Nunca deixo nenhuma porta fechada, esse é o meu lema. Neste momento aqui é onde eu gero empregos, este é o primeiro item da filosofia da Símbolo: geração de empregos, que é a forma mais digna de distribuição de renda.

ER - Você já teve algum sócio estrangeiro?

Joana - Não. O único, meu primeiro e único sócio foi o dr. Roberto, que é brasileiríssimo, a família toda dele mora aqui no Brasil.

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