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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

ER - Nessa coisa toda da globalização já tem várias editoras exportando títulos. Você já fez algum acordo nesse sentido?

Joana - Nós temos alguma coisa para Portugal e também alguma coisa muito pequena para a América Latina. Antigamente, tinha para a Argentina. Mas hoje estou mais voltada para o mercado nacional.

ER - Existe ética no mercado editorial brasileiro?

Joana - Acho que a ética é obrigatória em qualquer mercado. Existem empresas éticas, empresas mais éticas que as outras e empresas menos éticas que as outras. Eu considero o mercado brasileiro ético.

ER - Você já teve título, foto, matéria pirateada?

Joana - Sim. Em alguns casos eu liguei diretamente para o editor... Como foi um trabalho terceirizado, ele admitiu e tirou o material do mercado.

ER - A Símbolo tem algum relacionamento político? Vai para a disputa do BNDES? Acredita em dinheiro público?

Joana - Vai entrar como todas as outras, é obrigação dela. Ela quer acreditar em dinheiro público.

ER - O que é melhor: dinheiro público ou sócio estrangeiro?

Joana - (risos) Qualquer um que mantenha a Símbolo na trilha do crescimento, com qualidade de vida pessoal para os funcionários, visando o crescimento da empresa e não o enriquecimento dos acionistas. Recebi muito dinheiro na venda das ações para a Abril e esse dinheiro foi empregado na editora. Vivemos um momento difícil, mas preservamos a transparência nas relações profissionais, nas diferenças raciais, sexuais, etárias, religiosas. Aqui, eu brinco que você pode sair do armário tranqüilo.

"Meu pai tem uma frase muito interessante que diz: 'Se você colocar um chinês para brigar com um japonês, o chinês dá um couro no japonês. Ele é muito mais inteligente. Se você colocar os filhos do chinês para brigarem com os filhos do japonês, os filhos do japonês dão um banho nos chineses, porque os japoneses são mais cooperativos, gostam de trabalhar em time. Então minha filha, saiba quando você tem de ser chinesa, quando tem de ser japonesa'"

 

ER - Papel ou internet, como vai ser o futuro?

Joana - Estamos começando a entrar numa área muito interessante, que é a de considerar a revista como uma marca que deve ser migrada tanto para a internet quanto para outros negócios.

ER - Revista Costumer, vai entrar nesse mercado?

Joana - Vai, mas com bastante sabedoria e com um departamento independente. Nossa estratégia é bem simples e muito clara. Não faremos qualquer assunto, apenas os que temos expertise. A Símbolo é a segunda editora feminina neste País. Só perde para a Abril. São números consolidados pelo IVC. Temos muito material, mas trata-se de um novo negócio, um dinheiro novo.

ER - Brasileiro lê?

Joana - Lê e muito. O brasileiro é ávido de informação, desesperado em aumentar o know-how cultural dele. Em São Paulo, na exposição do Picasso, você viu o tamanho da fila. Quem pensa que são apenas pessoas da elite se engana. O maior exemplo é o das revistas populares. O grande problema está na distribuição. Você sai de São Paulo para uma cidade do interior onde tem uma única banca ao lado da igreja. Outro problema é o da pobreza que dificulta o acesso aos bens de consumo.

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