Joana é um gênio Maria Célia Furtado
ER - Qual é o maior nome na imprensa brasileira?
Joana - Em revista é o de Victor Civita (risos). Vamos
honrar o maior revisteiro de todos os tempos.
ER - Agora vamos para Joana espiritualista...
Joana - Antes vamos falar dos meus números, pelos dados
do IVC, incluindo-se as semanais de informação a Símbolo é a quarta principal
editora brasileira. Se excluir as semanais é a terceira. Apenas com as
revistas femininas somos a segunda. Até o final do ano, mesmo com as semanais,
seremos a terceira.
ER - Quando é que a Joana se tornou espiritualista?
Joana - Eu nasci no dia 31 de outubro, Dia das Bruxas.
Mas sou uma bruxa do bem. Fiz um mergulho muito grande no espiritualismo
justamente para desmistificar meu lado jornalístico, racional. O meu lado
direito é o do comando e o esquerdo é o intuitivo. Acredito que assim
aparece uma empresária mais completa. É preciso ouvir a intuição e a razão
para tomar uma decisão segura. Aparentemente, muitos atos não têm lógica,
mas acontecem. A espiritualidade ajuda muito, dá força, independentemente
do credo de cada um. Alguns empresários sabem disso. Atualmente, as pessoas
meditam, fazem ioga. Eu fazia ioga e toco tambor. Gosto do tambor porque
tem uma coisa lúdica, de brincadeiras mas não deixa de ser uma meditação.
Porque o princípio do tambor é que você bate no som com o coração, você
segue o compasso do coração: tum, tum, tum... Naquilo que a gente chama
de mergulho mais profundo, que é você estar meditando. Acredito que todos
precisam de uma força espiritual para não se sentirem muito sozinhos.
ER - Você disse no início, quando estávamos fazendo
as fotos, que para ser editor precisa ser mágico.
Joana - Risos
ER - É esse o seu lado que te faz ser mágica?
Joana - Sim, eu tenho de acreditar nisso. Basta olhar
para a história da Símbolo. Ela foi fundada em 1987. Meu sócio financeiro
saiu em 92, eu só tinha a Corpo a Corpo e não estava bem das pernas. Veja
em 92 como era o nosso faturamento, como era o nosso caixa, eu com oito
gatos pingados e veja no que a Símbolo se tornou. Essa história eu já
contei lá fora, às vezes, eu vou à palestras e querem saber - "mas no
meio desse caminho não teve sócio, não teve dinheiro, como era a Símbolo?".
Antes da entrada da Abril, nós já estávamos nesse ramo. Passamos por problemas,
mas nós sabíamos que iríamos vencer. Então, a filosofia é a seguinte:
Você sabe que na sua frente tem um tigre, dois tigres, três tigres que
vão te devorar. Talvez você perca a coragem. Talvez você encontre uma
força tão grande que surpreenda a todos e no final vai ver que os tigres
eram só três gatinhos. Um editor maravilhoso, que é o Ângelo Rossi, um
homem tão lógico, uma vez me falou: "Joana, sabe porque acho que você
deu tão certo na vida? Porque você nunca teve nada a perder." Eu continuo
não tendo nada a perder, porque para mim a Símbolo não é meu bem, minha
fonte. O que tenho é um compromisso com os meus funcionários. E sei que
esse mercado em grande recessão só tem duas saídas: ou você encolhe ou
você cresce. E eu já encolhi em 99. Foi o pior ano da Símbolo. Em 1999,
2000 nós reduzimos o quadro de 270 funcionários para cento e poucos. Não
tem coisa mais importante do que você ter um foco, um plano, uma meta.
E fazer mágica não é aquela coisa assim inconseqüente. Para fazer mágica
tem de ter tecnologia, know-how, expertise, muito suor, muito, muito suor
e fé. Então a fé é só o chantilly, é a cereja no bolo. O resto da marca
faz parte das pesquisas, dos dados. A Símbolo faz mágica sim. Realiza
o impossível dentro dessa filosofia em que a fé é a cereja do bolo. Isso
faz toda diferença.
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Próxima >> |