Na contramão Protegido pelos astros, João Bidu fez a sorte trabalhando
duro e provou que é possível criar uma editora de revistas
fora dos grandes centros.
"LÁ VEM CIRILO PELO MEIO DE CAMPO, AVANÇANDO COM MUITA GARRA E DETERMINAÇÃO."
De um canto do estádio João Carlos de Almeida, garoto bauruense, narra com entusiasmo a jogada que seu pai acaba de fazer para um pequeno time local. No segundo tempo, Cirilo é substituído por um moleque franzino, mas cheio de ginga, chamado Edson Arantes do Nascimento. Isso mesmo: aquele que seria o futuro Rei Pelé. Vítima da paralisia infantil aos 2 anos e meio, João encontrou nas emoções da locução a maneira de praticar sua paixão pelo futebol. Nascia ali um sonho: ir à capital para narrar os clássicos da rodada.
O destino falou mais alto e a voz de João não venceu os limites de Bauru, condenando caneladas e comemorando gols. Em 1972, em plena ditadura militar do general Emílio Garrastazu Médici, o diretor da rádio Auri Verde, Tobias Ferreira, convidou o jovem locutor esportivo para ancorar o programa do então famoso astrólogo Omar Cardoso. Nascia ali João Bidu, "um personagem que foi convidado para esquentar aquele programa frio", lembra o jornalista.
Com uma voz cativante, o personagem ganhou fama instantânea. Logo os ouvintes começaram a fazer perguntas sobre os signos e, principalmente, sobre as combinações entre eles. Embora prometesse respostas exclusivas para cada ouvinte, Omar Cardoso jamais conseguiu atender as mais de 400 emissoras em que trabalhava.
| "Permanecer em Bauru acabou se revelando uma ótima solução. A cidade possui diversas faculdades de Comunicação e muitos dos custos fixos são menores. Além disso, possuímos escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. Hoje não é preciso mais estar perto para estar junto." |
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Para saciar a curiosidade do público, Bidu mergulhou de cabeça na literatura sobre Astrologia. Assim, ele passou a responder às principais dúvidas do público. "Eu pegava o livro do Omar e tirava de lá mesmo as respostas. Eu só lia, lia e lia", João relata com uma pontinha de saudade.
O mundo da Astrologia abria-se para sua voz. A necessidade de entender com mais profundidade o universo dos signos fez com que o jornalista resolvesse estudar para valer. Comprou novos livros, freqüentou um curso durante um mês em São Paulo e descobriu, nas suas próprias palavras, o que era a Astrologia popular defendida por Cardoso.
REVISTA À VISTA
Durante muito tempo, João Bidu teve o rádio como seu principal porta-voz. Mas, em 1975, já começou a fazer incursões pelo mercado de revistas. Nesse ano, Omar Cardoso foi contratado pela emissora concorrente. João assumiu o programa Bom Dia Mesmo e passou a disputar a audiência com seu próprio mestre. "Eu tremi com a responsabilidade. Mas a emissora era boa e isso também ajudou muito: o meu programa virou sucesso", conta.
"Como o Omar tinha o Anuário Astrológico, o João Bidu logo quis ter o dele, claro", relembra rindo. Batizado de Anuário João Bidu - 1975, a primeira tiragem foi de mil exemplares. Rapidamente, quase 900 deles foram comercializados. Mas segundo João, a revista não pôde ser considerada um sucesso. "As vendas foram forçadas", afirma. Por uma questão de economia, a revista não foi colocada à venda em bancas e sim nas lojas que patrocinavam o programa de rádio. Um grande erro. Foram necessárias ações promocionais como a distribuição de brindes para empurrar as vendas. "Foi aí que percebi que revista deveria ser vendida em bancas, não em lojas", relata Bidu.
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