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Na contramão
Protegido pelos astros, João Bidu fez a sorte trabalhando duro e provou que é possível criar uma editora de revistas fora dos grandes centros.

PARCERIA DE RESULTADOS
O primeiro Anuário João Bidu foi lançado em parceria com Pedro José Chiquito, um técnico da rádio Auri Verde que era fã confesso de horóscopos. Quando decidiu entender melhor o universo astrológico, Chiquito pediu ajuda ao amigo. "Em 1977, o João começou a me passar algumas dicas de como ele fazia as previsões, aí eu me achei", conta o técnico. A parceira deu tão certo que eles são sócios até hoje.

Em 1979, a tiragem do Anuário evoluiu para 3 mil exemplares. Os parceiros acharam que era o momento de distribuir a publicação para toda a região de Bauru. Passaram a comercializá-lo também em São Manuel, Jaú e Marília, cidades nas quais o programa de Bidu já era transmitido.

Nesse mesmo ano, o Anuário chegava à livraria LaSelva do aeroporto de Congonhas, na capital paulista. "Os resultados positivos na capital me deram a percepção de que eu não precisava ter um programa de rádio na cidade para vender revista", revela Bidu. Nesse mesmo período, João Bidu assume um programa numa emissora de Lins, no interior de São Paulo, e ocorre uma fatalidade: Omar Cardoso falece.

GUIA ASTRAL: A PRIMEIRA
Bidu e Chiquito seguiam com suas carreiras em rádio e, paralelamente, tocavam o Anuário. Além da Astrologia, eles começaram a explorar o terreno do misticismo e lançaram com sucesso a revista Sonhos & Simpatias. Bidu relata a façanha: "Saímos com uma tiragem de 15.000 exemplares achando que levariamos dois anos para vender. Em menos de um a revista já estava esgotada", comemora.

Antes de realmente partir para conquistar o Brasil, os sócios lançaram a Astral Sonhos e Simpatias 85. Com tiragem de 30 mil exemplares, pela primeira vez contaram com a distribuição de uma empresa altamente especializada, a Distribuidora Nacional de Publicações (Dinap). "Vendemos rapidamente tudo", relembra Bidu. A revista consagrou a fórmula que mistura Astrologia com sonhos e simpatias, receita que fermentou o lançamento da Guia Astral, o primeiro grande sucesso dos editores.

No ano seguinte, a Guia Astral chegava às bancas com 40 mil exemplares (leia mais no box ao lado). A estrutura para produzir a revista era bastante precária: Bidu escrevia a revista no quarto do filho e se comunicava rapidamente com Chiquito por telefone ou quando eles se encontravam nos corredores da Auri Verde. Vale lembrar que estávamos em 1986, um ano de inflação galopante que chegava a 1% ao dia. "Relembrando hoje fico pensando: meu Deus, como eu tinha energia!", diz Bidu.

A primeira edição da Guia Astral vendeu 23 mil exemplares. Considerada como pedra fundamental da editora Alto Astral, no início, poucos acreditaram que ele seria sucesso. Parecia ser pouco provável que uma revista de previsões astrológicas tivesse fôlego para vender durante o ano todo. Mas a inclusão de temas como amor e sexo, o bom preço e até a escassez de exemplares da concorrente, Horóscopo, publicada pela Abril, ajudaram a consolidar a Guia Astral entre as mulheres das classes C e D, conquistaram um nicho de mercado sedento por esse tipo de informação.

As contas e o controle de gastos eram feitos na ponta do lápis e não havia sequer uma planilha de entrada e saída. "A revista vendia bastante, mas dinheiro que é bom a gente não via", conta Bidu. Foi quando eles contrataram uma consultoria financeira e administrativa para pôr ordem na casa.

O sucesso da Guia Astral pavimentou o caminho para a publicação de novos títulos com a mesma temática, tais como a Boa Sorte e o Correio Astral. Em 1989, João vivia o dilema entre ser um radialista com sucesso regional ou um pequeno empreendedor que tinha grandes negócios potenciais. A solução foi passar a trabalhar com jornalistas free-lancers. Ele alugou uma sala comercial e, com o sucesso crescente, logo tiveram que migrar para uma casa maior, que se tornaria a sede da editora.

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