Na contramão Protegido pelos astros, João Bidu fez a sorte trabalhando
duro e provou que é possível criar uma editora de revistas
fora dos grandes centros.
LONGE DA CAPITAL
A distância dos grandes centros econômicos do país começava a se tornar um problema. A editora tinha dificuldade com fotolitos e em encontrar profissionais qualificados. Para quem ainda não trabalhava naquela época, vale lembrar que os computadores com programas gráficos eram caros e raros. As revistas eram montadas artesanalmente. Eles cogitaram mudar para alguma cidade próxima à capital paulista. Porém isso elevaria os custos e Bidu acabou se associando a uma empresa de fotolito da qual se desligou mais tarde.
Permanecer em Bauru acabou se revelando uma ótima solução. No começo da década de 90, diversas faculdades de Comunicação foram inauguradas na cidade facilitando a contratação de mão-de-obra qualificada. Mais que isso, foi também um golpe de sorte. O confisco financeiro praticado pelo ex-presidente Collor teria derrubado a editora que não teria condições de suportar os elevados custos operacionais da capital paulista. "Poderíamos ter sofrido muito mais do que sofremos", diz Bidu.
Deposto o presidente e contornada a crise, a editora Alto Astral abriu escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro. A área comercial ficou concentrada na capital paulista e havia redações em ambas as cidades. Dada a proximidade com os artistas de televisão, o escritório no Rio foi extremamente estratégico na época. Hoje, com os recursos tecnológicos, a localização geográfica deixou de ser problema. "Não é preciso mais estar perto para estar junto", resume Bidu. "Isso não impede que os profissionais da redação bauruense viajem para lá sempre que possível", completa.
NOVOS SEGMENTOS
Esse começo dos anos 90 foi bastante complicado. Houve cortes de funcionários e Chiquito teve de assumir a contabilidade. Mas também foi um período em que a editora experimentou novos segmentos além das publicações sobre Astrologia. Em 1992, foi lançada a revista Meu Amor. Um ano depois, Bidu e Chiquito tornaram-se efetivamente sócios na editora.
Trabalhando há vinte anos juntos, o convite para formar uma sociedade era atitude quase natural para ambos. A Alto Astral havia crescido
e Bidu sabia que um maior envolvimento
do amigo era essencial para dar continuidade
ao crescimento. "Ele me disse que se fosse para continuar sozinho ele parava tudo", conta Chiquito, "mas para mim essa era uma decisão bastante complicada." A família não queria que ele deixasse os empregos na rádio e na tevê retransmissora da Globo em Bauru. "Eu tinha um monte de dúvidas, mas tinha o João comigo!", conta. Quando Chiquito optou pela Alto Astral, Bidu já não viajava mais para cobrir as partidas do Esporte Clube Noroeste. A partir daquele momento, era dedicação total à editora.
FATURANDO COM PUBLICIDADE
Em 15 de dezembro de 1995, com a estabilidade econômica propiciada pelo Plano Real, a editora Alto Astral lançou seu primeiro projeto com previsão de abocanhar uma fatia do bolo publicitário. Nascia ali o embrião do que viria a se tornar a Todateen, que é hoje um dos grandes sucessos da editora.
A idéia inicial era continuar explorando o mundo dos astros. Com o nome de Astralteen, a revista teria como target as adolescentes de classes A e B interessadas em Astrologia e Misticismo. Porém, aqui começa uma história que foge às explicações meramente racionais.
Segundo Chiquito, as edições especiais publicadas anteriormente sobre o tema e o feeling da própria redação apontavam que o formato não seria aceito. Houve uma mudança no projeto desenvolvido e acabou nascendo a Todateen. "O nome não era um consenso e ainda hoje gera confusões." Tem menina que chega na banca e pede a "Todatem", conta Bidu.
A editora ainda tinha pouca experiência com revistas de comportamento e enfrentava dificuldades para entrar nesse segmento. Correu o risco e o fracasso inicial foi inevitável.
| "Apesar de sabermos que havia espaço para uma revista como a Todateen, no lançamento da revista ela não foi nenhum sucesso. Passamos por crises feias e quase vendemos o título. Mesmo assim insistimos. A partir do número 43, com mais experiência, começamos a grande virada." |
Depois de algumas edições no vermelho, os editores pensaram em colocar a publicação à venda. Bidu relata que a decisão de manter a revista foi emocional: "Passamos por crises feias, não vendíamos muito e outras editoras fizeram ofertas para comprar o título. Com muito esforço, optamos por continuar publicando a revista".
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