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Na contramão
Protegido pelos astros, João Bidu fez a sorte trabalhando duro e provou que é possível criar uma editora de revistas fora dos grandes centros.

A edição de número 43 marcou a divisão das águas. A Todateen passou por reformulações gráficas e editoriais. Começava ali a grande virada. A lombada canoa passou a ser quadrada e a divulgação da revista ganhou comerciais na televisão. "Já tínhamos experiência no segmento. O problema é que não tínhamos publicidade", lembra Bidu.

Atualmente, a Todateen disputa a participação nas bancas em pé de igualdade com as principais revistas do segmento. Hoje, a média de vendagem é 85 mil exemplares por edição e a publicação é responsável pelo maior faturamento publicitário da editora, dividindo esse bolo com a Guia Astral, a semanal Malu e a mais recente novidade: a mensal Mulher Dia-a-Dia.

REPARTINDO LUCROS
No segundo semestre de 2005, a Alto Astral estará inaugurando seu segundo prédio, em Bauru. Hoje, com 200 funcionários, a editora conquistou 10% do total de vendas em banca no mercado editorial brasileiro. Seu mix de produtos tem de 15 a 18 revistas, número que varia de acordo com as edições especiais. São mais de 3 milhões de exemplares por mês.

Tudo isso só foi conquistado graças a um modelo baseado na administração participativa, marca registrada da editora. Desde o princípio, o modelo adotado pelos sócios foi de Participação do Lucros e os Resultados (PLR). Para isso foi criado um esquema de metas editoriais a serem atingidas. Havendo lucro, ele é repartido igualmente entre todos os profissionais da editora. "Não adianta atingir meta, se não der lucro", relata Bidu.

Buscando sempre a inovação, a editora criou o Grupo Editorial (GE). Formado pelo board da empresa, esse grupo discute a posição da Alto Astral no mercado editorial e analisa o lançamento de outros produtos. Um desses lançamentos analisados foi a revista de decoração Bom Astral, projeto que acabou não se firmando no mercado por falta de publicidade. "Só deu vermelho, vermelho e resolvemos parar", diz Bidu.

Também foi das análises desse grupo que nasceu a Mulher Dia-a-Dia, a mais recente publicação da editora.

Lançada inicialmente como um projeto especial, a revista é parte da iniciativa da editora para aumentar a receita publicitária. Abordando temas de interesse feminino, a publicação é vendida acompanhada de uma revista de receitas como brinde. A fórmula tem se mostrado eficiente e desde março a tiragem vem mantendo uma média de 80 mil exemplares.

Consolidada estrategicamente e saudável financeiramente, a editora faz planos para ampliar os negócios. Porém, Bidu afirma que o mercado editorial já ocupa muito tempo na sua vida. "A gente tem de estar focado na editora sempre", informa.

Para detectar como anda a motivação de seus colaboradores e o ambiente na Alto Astral, Bidu e Chiquito recebem dois funcionários por semana para um bate-papo informal. "Estamos sempre aparando arestas e avaliando constantemente os caminhos que conduzem à evolução", diz Bidu.

Extremamente ativo, o empresário sempre soube separar a vida pessoal da profissional. Com dois filhos, dois netos e três casamentos, há dez anos, Bidu tem também seu tempo ocupado com o cargo de presidente da Sorri-Bauru, instituição que promove a reabilitação profissional, física e a educação básica visando à inclusão dos portadores de deficiência física na sociedade. "Sem saber, a minha mãe já praticava a inclusão", ele recorda com satisfação. João foi criança que brincou, andou a cavalo e, um dia, foi ver seu pai jogar futebol... O resto vocês já sabem!

DE BAURU PARA O MUNDO

As revistas da Alto Astral atravessaram as fronteiras e estão conquistando o mundo. Num caminho inverso ao da Colonização, Guia Astral, a Boa Sorte e Salmos e Anjos já cruzaram o Atlântico e conquistaram o mercado português. Esse colonialismo às avessas é responsável por 10% do faturamento da editora, incluindo as edições especiais e alguns encalhes. Ao todo, são distribuídas mensalmente 175 mil revistas em Portugal. A experiência globalizada também se estende aos países de língua espanhola. A Alto Astral distribui cerca de 20 mil exemplares na Venezuela e Espanha. Além disso, está retomando a distribuição na Argentina, depois de amenizada a crise econômica pela qual o país passava. Nos Estados Unidos, as revistas chegaram via a população latina de Miami. "Estamos ainda engatinhando no mercado hispânico, levamos cada tombo na Argentina!", lembra Bidu. Mas isso nunca foi motivo para desanimar. Muito pelo contrário. Segundo o gerente de marketing Silvino Brasolotto, em 2005, a editora deve produzir revistas com versão em inglês para conquistar o mercado norte-americano. Há pouco tempo, houve uma tentativa de adentrar nesse mercado. Porém, a editora enfrentou problemas com a distribuição e não obteve sucesso. "Nos EUA, existem muitas distribuidoras regionais. Vamos tentar fazer um trabalho mais próximo a elas neste ano", conceitua Brasolotto.

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