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GUIA ASTRAL, A PIONEIRA
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| À esquerda, a primeira edição. Ajustes no formato atraíram mulheres mais jovens. |
SEXO, AMOR E ASTROLOGIA. A receita simples da Guia Astral explica o sucesso da publicação que completou 19 anos em abril. Primeira revista da Alto Astral com grande impacto nacional, a Guia é até o hoje o carro-chefe da editora. Campeã nas bancas, a publicação vende em média 150 mil exemplares/mês e já conquistou até os patrícios na terrinha. Quando foi lançada em 1986, quase ninguém acreditava em seu sucesso. Parecia pouco provável que uma revista como a Guia, que aborda previsões astrológicas, vendesse durante todo ano. Some a isso, as condições complicadas de trabalho, a reforma econômica do Plano Cruzado, o elevado custo de produção e pronto: essa é a fórmula de um belo fiasco, certo? Errado. Guia Astral chegou às bancas naquele ano com 40 mil exemplares. Vendeu 23 mil. "Sabe Deus como!", lembra Bidu.
Trabalhando nas horas vagas do trabalho oficial nas emissoras de rádio, João Bidu e Pedro Chiquito produziam a revista com estruturas mínimas. Os encontros na rádio e as conversas por telefone possibilitavam os acertos de detalhes.
Naquele tempo eles imprimiam a revista na Tilibra, que sempre teve como prioridade a impressão de cadernos e agendas. Mais de uma vez, finalizaram a impressão dos exemplares em gráficas da região. "Tudo para entregar a tempo na Dinap", lembra o locutor.
Segundo Bidu, a princípio o Guia firmou-se nas bancas, pegando carona no sucesso da antiga Horóscopo. A publicação da editora Abril custava Cz$ 8,00 e seus 200 mil exemplares não paravam nos pontos-de-venda. O Guia Astral entrava no vácuo faturando os leitores que gostavam do tema mas não tinham chegado a tempo de pegar a edição da Abril nas bancas.
Além de ser 3 cruzados mais cara, a revista da Alto Astral era impressa em preto-e-branco e tinha menos páginas. "Além de muito trabalho, tivemos bastante sorte também. Lançamos a revista numa época em que o consumo estava em alta", Bidu recorda.
O lançamento da revista Guia Astral atendeu a um nicho de público mais popular, que gostava do tema, mas não era ainda atendido pelo mercado editorial. Em tempos de TV Mulher, Bidu acrescentou, com mais ênfase, a temática amorosa e sexual ao universo dos signos, recurso pouco utilizado pelas publicações da área, confirmando seu faro para inovações. "Revista tem de ser sempre vanguardeira", afirma.
A figura carismática de João Bidu também foi de extrema importância para o sucesso da publicação. "Se você mostra a minha cara, eu existo", afirma o astrólogo. Desde o começo, ele mantém contato direto com os leitores, respondendo a cartas que falam sobre amor, sexo e família para mulheres, majoritariamente das classes C e D.
Atualmente, o perfil da leitora da Guia Astral mudou. A mulher madura do princípio tornou-se uma pequena fatia do público, dando espaço para a adolescente atraída pelo misticismo e pelas estrelas do universo pop. A revista, que chegou a vender 250 mil exemplares por edição, acabou fazendo inovações para adequar seu estilo ao público. Mas, como não se mexe em time que está ganhando, Bidu continua respondendo de próprio punho as dúvidas de suas leitoras.
FORÇA NAS BANCAS
Desde o começo, o faturamento de Guia depende das vendas em banca. A receita publicitária nunca foi significativa, mas a editora tem feito investidas para atrair anunciantes. Para Bidu, a publicação tem um potencial a ser explorado. "Tudo que se relaciona ao universo da mulher popular, como cosméticos, lingeries, pode ser anunciado" diz.
Segundo o gerente de marketing da editora Silvino Brasolotto, o formato da revista, impressa em papel jornal, ainda encontra resistências no mercado. "Levam isso em consideração", conta. Ano passado, uma famosa marca popular de batons anunciou em Guia e, pelo que tudo indica, deve repetir a parceria em 2005.
No entanto, segundo Bidu, a tentativa de aumentar a receita publicitária deve ser feita com cuidado. A revista não pode ser descaracterizada para não afastar a leitora. "Não podemos mudar tudo, ela pode não gostar", conta.
Para o astrólogo, o segredo é ficar no meio termo, sem mudanças bruscas no projeto editorial e tentando atrair os anunciantes. Bidu acredita que a capacidade de Guia, uma revista mensal e de forte componente místico, para comercializar produtos ainda não foi notada. "Somente o volume de vendas já seria uma boa razão para os anunciantes", diz. |
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