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O ALTO ASTRAL DE BIDU
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| ONTEM: um microfone de lata na mão, narrando as antológicas partidas de futebol de seu pai e Pelé. HOJE: as páginas do The Wall Street Journal. |
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Quando a Em Revista foi produzir as fotos para ilustrar esta matéria, queríamos captar imagens numa rodovia para mostrar o João Bidu que saiu do Interior de São Paulo para conquistar o Brasil. Com a câmera na mão e uma idéia na cabeça, começamos a experimentar enquadramentos e fotometrias na beira da Rodovia Marechal Rondon. O calor é forte e o suor brota em bicas. Bidu enxuga o rosto e está pronto para ser clicado: em pé, sentado e do outro lado da estrada. Não demora muito a Polícia Rodoviária logo aparece. A abordagem foi a usual: "Tudo em ordem com o homem dos astros?", questionou o policial atestando a fama e o prestígio que Bidu desfruta na região. Essa passagem mostra que, em Bauru, não é bom negócio ficar brincando com o astrólogo. Incessantemente cumprimentado nas ruas, ele responde com um sorriso aberto que já é sua marca registrada. "Ele sempre está bem-humorado e sempre tem assunto", revela a jornalista Rita de Cássia Aria, há 14 anos na Alto Astral.
As perguntas sobre o que os astros reservam para o futuro e as combinações amorosas entre os signos são as mais comuns. Mas Bidu já previu uma virada histórica numa das recentes eleições na cidade. O então candidato a prefeito de Bauru, favorito em todas as pesquisas, dançou feio quando as urnas se abriram. "Eu via que não estava tão fácil", conta Bidu.
NOME QUE PEGA
Parte do sucesso profissional do locutor pode ser creditado à sua simpatia e, porque não, à simplicidade de seu nome. "É fácil e pegajoso", diz o astrólogo. Mas, em 1972, nem o radialista acreditou muito na combinação do nome de batismo com a antiga gíria Bidu, que pode ser traduzida como "o sabetudo". Quando assumiu o próprio programa, quis acrescentar a denominação "professor", para dar um toque de credibilidade, mas acabou mudando de idéia.
"João Bidu contrariava tudo que acontecia na época. Os astrólogos sempre adotaram nomes mais misteriosos, quase míticos e o meu vinha de uma gíria popular", informa.
A questão do nome ainda iria assombrar o locutor por algum tempo. Como, na primeira vez em que foi à editora Abril para negociar a distribuição de seus anuários. Naquele tempo ainda não havia a Dinap e o funcionário simplesmente se negou. "Ele disse que era lamentável, mas que o nome João Bidu não passava a menor credibilidade", lembra comicamente o astrólogo.
O nome acabou dando tão certo que foi fundamental para que as publicações da editora marcassem posição nas bancas. Hoje, mesmo o astrólogo estando mais afastado da produção jornalística, preferindo apenas responder às cartas dos leitores (função intransferível), é comum que as publicações ainda sejam conhecidas como "as revistas do João Bidu".
Para mudar essa imagem, a editora desenvolveu um trabalho para valorizar a marca Alto Astral. Astral foi a palavra escolhida por Bidu para se contrapor a horóscopo, já muito usada por Omar Cardoso. O nome acabou indo para as revistas e, mais tarde, para a editora. Agora, já está começando a conquistar o mundo. |